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Óleo de palma: qual o problema dele?

O óleo de palma é um dos óleos mais consumidos em todo o mundo. Barato, biodegradável e exige pouco espaço para plantio. Mas então, qual é o problema?

Vem com a gente que vamos te contar tu-di-nho!


O que é óleo de palma?

O óleo de palma é um óleo de origem vegetal, extraído do fruto de uma palmeira chamada Elaeis guineensis. A planta é originária do oeste do continente Africano e seu subproduto mais famoso, o azeite de dendê ou óleo de palma, já é consumido pelos seres humanos há pelo menos 5 mil anos.

Apesar da sua origem, o seu cultivo se espalhou pelo globo. No Brasil, relatos indicam que a árvore chegou ainda no século XVI, mas hoje os maiores produtores do óleo de palma no mundo são a Indonésia e a Malásia.  Estas duas nações, sozinhas, são responsáveis pela produção de 85% de todo o volume de óleo de palma do mundo.

Para que serve o óleo de palma?

O óleo de palma é um produto versátil, que é utilizado nas mais diversas indústrias e setores. Segundo informações da WWF, metade dos produtos embalados dos supermercados contém óleo de palma. Estima-se que cada um de nós consuma 8kg de óleo de palma por ano.

Ele está presente nos mais diversos alimentos, cosméticos, cremes dentais, maquiagens, produtos para pets, sabões e demais produtos de limpeza e, até mesmo, no biodiesel. Honestamente? É mais fácil listar o que não tem óleo de palma.

Um dos motivos para tamanha popularização é justamente sua capacidade de assumir inúmeras funções, como formar espuma em praticamente todos os xampus, sabonetes líquidos ou detergentes, conservar alimentos e auxiliar na fabricação de latas, só para citar alguns exemplos.

Por que ele é tão usado no mundo?

Porque ele traz consigo algumas vantagens:
  • Contém vitaminas, como carotenóides, esteróis e vitamina E.
  • É biodegradável.
  • É um recurso renovável.
  • É produzido em uma área pequena. Na mesma quantidade de terra é possível produzir até 10 vezes mais óleo de palma do que outros óleos vegetais.
  • Seu custo é baixo.

Mas então, qual o problema do óleo de palma?

Com todas essas vantagens, a demanda por ele cresceu exponencialmente em todo o mundo. E as palmeiras que nasciam naturalmente passaram a não ser mais suficientes. Aí você já deve imaginar o que os produtores começaram a fazer né? Sim! Queimar florestas tropicais para “limpar” o terreno e plantar o que? Palmeiras. Como consequência disso hoje temos milhões de hectares com uma única vegetação: a palmeira Elaeis guineensis.


Monocultura de palmeiras em Phang Nga na Tailândia.


Agora você deve estar pensando: “Ai que exagero, no final das contas várias árvores foram plantadas e elas continuam tirando CO2 da atmosfera. E além disso to achando essa foto aí linda!”. Pois é, todos os tipos de árvores desse nosso planeta são de fato lindas, mas infelizmente o problema não é tão simples. Vem ver lado problemático disso tudo:

PERDA DA BIODIVERSIDADE

Florestas tropicais não são apenas árvores, são biomas incríveis que abrigam um número incalculável de espécies de plantas e animais, estimado em 50% das existentes no mundo. E as florestas de palmeiras não conseguem cumprir esse papel. Quando substituímos florestas nativas por uma monocultura de exploração, os animais e plantas que ali viviam ficam sem alternativas e alimentos para sobreviver.

O caso mais famoso é o do Orangotango de Sumatra, que hoje está classificado como “espécie em perigo crítico”, o que significa que está na categoria de espécies de fungos, plantas e animais que correm o maior risco de extinção. Porém, inúmeras outras espécies também estão sendo prejudicadas com a destruição de seus lares.

EMISSÃO DE CO2

Preparar a terra para o cultivo do óleo de palma libera quantidades muito altas de gás carbônico. Um estudo publicado pela Nature Communications mostrou que cada hectare de terra convertida libera 174 toneladas de CO2, o equivalente a quantidade de carbono produzida por 530 pessoas em um voo de Geneva para Nova York. Ou seja, no final das contas temos menos áreas verdes e férteis e mais poluição para o planeta. Um péssimo negócio, né?

TRABALHO INFANTIL E CONFLITOS LOCAIS

O grande interesse econômico gerado pelo óleo de palma teve um lado positivo nos países em que ele é produzido: diversas pessoas saíram da pobreza por trabalharem no cultivo e agricultura das palmeiras, o que colaborou com o desenvolvimento do local.

No entanto, a crescente demanda por mais e mais óleo de palma em união à falta de fiscalização, trouxe à tona problemas sérios: o trabalho infantil e o trabalho forçado. Conflitos entre indústrias, populações nativas e governos também são graves adversidades geradas pelo consumo desse óleo.

Devo então parar de consumir óleo de palma?

Essa não é uma resposta fácil. O óleo de palma poderia ser tudo de bom, mas para isso muita coisa precisa mudar! É justamente isso que está fazendo um grupo chamado Roundtable on Sustainable Palm Oil (RSPO), uma iniciativa da WWF junto com os demais interessados na produção do óleo, como as indústrias, a população local, ambientalistas e governos. Juntos, eles criaram o selo RSPO, indicando que o óleo de palma utilizado tem “origem sustentável”.

Vem ver o que você pode fazer para ajudar a tornar a produção de óleo de palma mais consciente:


EVITE CONSUMIR ÓLEO DE PALMA

Essa parte é difícil, a gente sabe. Isso porque ele está massivamente inserido na nossa cultura e no nosso consumo. Além disso, a nomenclatura que indica a presença do óleo de palma nas embalagens geralmente é confusa e pouco intuitiva.

Procure nas embalagens por nomes como “óleo vegetal, gordura vegetal, caroço de palma, óleo de caroço de palma, óleo de fruta de palma, palmato, palmitato, palmoleína, gliceril, estearato, ácido esteárico, elaeis guineensis, ácido palmítico, estearina de palma, palmitoil oxostearamida, tetrapeptídeo de palmitoil-3, lauril sulfato de sódio, kernelato de sódio, kernelato de sódio de Palma, lauril lactilato / sulfato de sódio, glicerídeos hirados de palma, palmitato de etilo, palmitato de octilo, álcool de palmitila”.

Nada fácil, não é mesmo? Mas calma, existe solução! Muitas empresas estão lutando para evitar que o óleo de palma esteja em seus produtos. É o nosso caso! A Korui não insere o óleo em nenhum dos produtos. Um exemplo é o nosso higienizador para acessórios menstruais, que só possui ingredientes naturais, que não fazem mal nem para a saúde, nem para a natureza.

BUSQUE POR PRODUTOS COM O SELO RSPO

Apesar de ainda ser uma ação que recebe críticas, ela é uma das formas mais eficientes de saber a procedência do óleo de palma que estamos consumindo.

O WWF também oferece uma ferramenta (em inglês) que auxilia nessa missão, indicando se o produto utiliza óleo de palma de procedência sustentável ou não.

ENGAJE-SE

Você pode se engajar nesta causa e continuar aprendendo sobre o assunto. É possível também doar para instituições que estão fazendo a diferença e buscando inovar e aprimorar o cultivo e a extração do óleo de palma.

O Brasil, em 2010, criou o Programa de Produção Sustentável de Óleo de Palma, que proíbe o desmatamento para o plantio da palmeira, além de incentivar a agricultura familiar e garantir maiores investimentos em pesquisas. Mas é preciso ficar sempre de olho e cobrar que tudo isso seja algo além de um monte de papel!

No âmbito internacional, instituições como a WWF, a International Animal Rescue e a Save our Borneo são algumas opções interessantes.


Agora que você está ciente da importância de repensar sua relação com (mais esse) consumo, sempre que possível, dê sempre preferência para os produtos menos processados e naturais, como é o caso das frutas e verduras da feira orgânica. Sua saúde também irá agradecer.

Consumir menos também é sempre uma ótima saída. Aquilo que você não precisa é sempre um consumo que pode ser evitado. Bora refletir antes de comprar?

E, para finalizar, vale lembrar: seu consumo é como um “voto” para aquilo que deve continuar sendo produzido. Pense nisso na hora de escolher o que entra na sua casa.

E por aí? Tem alguma coisa que não entra mais na sua casa? Conta pra gente nos comentários. ;)

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